segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O Governo dos Cem Dias

Napoleão teve suas forças derrotadas pela coligação europeia no final de sua fase imperial. Com isso, foi obrigado a abdicar e foi exilado na Ilha de Elba devido ao Tratado de Fontainebleau. No entanto, fugiu logo depois. Entrou na França com um exército reconquistando seu poder, mas foi derrotado ao tentar atacar a Bélgica na Batalha de Waterloo. Pela segunda vez foi exilado, dessa vez na Ilha de Santa Helena, no ano de 1815. 
Napoleão abandona a ilha de Elba
Fonte: Imagens do google
Fonte: http://www.estudopratico.com.br/era-napoleonica-consulado-imperio-e-o-governo-dos-cem-dias/

Curiosidades: Transferência da Corte Portuguesa pra o Brasil


O duplo aspecto das guerras napoleônicas – As guerras napoleônicas (1805-1815) apresentaram dois aspectos importantes: de um lado, a luta contra as nações absolutistas do continente europeu e, de outro, contra a Inglaterra, por força das disputas econômicas entre essas duas nações burguesas.

As principais nações continentais - Áustria, Prússia e Rússia - foram subjugadas por Napoleão a partir de 1806, em razão da sua imbatível força terrestre. Entretanto, foi no confronto com a Inglaterra que as dificuldades tomaram forma, paulatinamente, até asfixiarem por completo as iniciativas napoleônicas.

Em 1806, apesar de o domínio continental estar aparentemente assegurado, a Inglaterra resistiu a Napoleão, favorecida pela sua posição insular e sua supremacia naval, sobretudo depois da batalha de Trafalgar (1805), em que a França foi privada de sua marinha de guerra.

Strangford e a política britânica para Portugal – Sem poder responder negativa ou positivamente ao ultimatum francês por ocasião do Bloqueio Continental, a situação de Portugal refletia com toda a clareza a impossibilidade de manter o status quo *. Pressionada por Napoleão, mas incapaz de lhe opor resistência, e também sem poder prescindir da aliança britânica, a Corte portuguesa estava hesitante. Qualquer opção significaria, no mínimo, o desmoronamento do sistema colonial ou do que dele ainda restava. A própria soberania de Portugal encontrava-se ameaçada, sem que fosse possível vislumbrar uma solução aceitável. Nesse contexto, destacou-se o papel desempenhado por Strangford, que, como representante diplomático inglês, soube impor, sem vacilação, o ponto de vista da Coroa britânica.

Para a Corte de Lisboa colocou-se a seguinte situação: permanecer em Portugal e sucumbir ao domínio napoleônico ou retirar-se para o Brasil. Esta última foi a solução defendida pela Inglaterra.

A fuga da Corte para o Brasil – Indeciso, o príncipe regente D. João adiou o quanto pôde a solução, pois qualquer alternativa era danosa à monarquia. 

Afinal, a iminente invasão francesa tornou inadiável o desfecho. A fuga da Corte para o Rio de janeiro, decidida na última hora, trouxe, não obstante, duas importantes conseqüências para o Brasil: a ruptura colonial e o seu ingresso na esfera de domínio da Inglaterra. 

Chegando ao Brasil, D. João estabeleceu a Corte no Rio de janeiro e em 1808 decretou a abertura dos portos às nações amigas, pondo fim, na prática, ao exclusivo metropolitano que até então restringia drasticamente o comércio do Brasil. 



domingo, 13 de setembro de 2015

Guerra da Sexta Coalizão: A queda do Império!

Dentro do mesmo período da Guerra da Quinta Coalizão, ocorreu algo muito importante para o cenário geopolítico napoleônico: com a forçada nomeação de José Bonaparte (irmão mais velho de Napoleão) como Rei da Espanha, iniciou a chamada Guerra Peninsular, na Espanha e em Portugal, entre as forças franceses e a resistência espanhola contra a recém-nomeação.

Assim, Napoleão perdia o seu mais forte aliado na Europa e se via com problemas nos estados germânicos e italianos. Nesse contexto, explodiu a Guerra da Sexta Coalizão.

O avanço inicial francês


Do meio pra o fim de 1812, o Grande Armée (como ficou chamado o corpo de exércitos sob o comando de Napoleão), composto por 650.000 soldados de 20 nações diferentes, falando 12 línguas diferentes; avançou contra a Rússia. 

A primeira grande vitória de Napoleão foi na Batalha de Borodino, quando o General Kutuzov foi encarregado de atrasar Napoleão e reagrupar suas tropas a espera de reforços. Napoleão dispunha de cerca de 160.000 homens, contra 140.000 russos e, sem esperar a chegada de reforços atacou. Causando 45.000 fatalidades ao inimigo e perdendo cerca de 10.000 a mais, Napoleão garantiu o avanço das tropas francesas até Moscou, dali pra frente.

A Batalha de Borodino.
























Moscou como uma cidade destruída e o recuo francês


É interessante citar que essa foi a primeira vez que os russos se utilizaram da estratégia da "terra arrasada". Não foi diferente com Moscou e, quando Napoleão chegou aos arredores da cidade, essa ardia em chamas; sua população e o Czar Alexandre I fugiram. Sem condições de continuar a campanha, diante do rigoroso inverno que estava por vir, Napoleão decide recuar para os estados germânicos, aonde revoltas contra o domínio francês insurgiam fortemente.

No recuo, Napoleão ainda tentou brecar o avanço inimigo na Batalha de Dresden, contra russos, além de prussianos e austríacos que já tinham quebrado a aliança com a frança. Mesmo vencendo a batalha, Napoleão não conseguiu retomar a iniciativa que, daí pra frente, ficaria apenas em mãos dos coalizados.

Apesar da vitória na Batalha de Dresden, contra uma força duas vezes maior, Napoleão apenas atrasou sua derrota definitiva.




























A Batalha de Leipzig (16-19 de Outubro de 1813)

Teve-se, então, a maior Batalha da Era Napoleônica em termos de quantidade de soldados em participação. Também conhecida como "Batalha das Nações", contou com 190.000 franceses contra 430.000 coalizados. Napoleão optou por uma postura defensiva, falhando e perdendo a chance de atacar os pontos mais fracos do inimigo que, com o tempo, foram fortificados. Além disso, o Reino da Saxônia, importante aliado germânico de Napoleão quebrou a aliança, se unindo aos coalizados com mais homens já no decorrer do confronto.

Mesmo conseguindo causar 55.000 casualidades contra os inimigos e perdendo 38.000 homens, Napoleão viu-se cercado pela coalizão. Mesmo assim, conseguiu perfurar o cerco e retornar a Paris. Foram assinados dois tratados, o de Fontainebleau e o de Paris que, entre outros pontos, reduzia a França ao seu território original (anterior a Napoleão) e forçava o ex-imperador a exilar-se na Ilha de Elba, próximo a costa italiana.

A Batalha de Leipzig contou com o maior número de soldados e de nações da Era Napoleônica.

Guerra da Quinta Coalizão: A expansão máxima do Império Napoleônico!

Temos, então, a mais curta das guerras do Império Napoleônico: a guerra da Quinta Coalizão. Desse vez, Reino Unido (que nunca tinha "feito a paz" com Napoleão, depois da Quarta Coalizão), Império Austríaco, Sicília e Sardenha, iniciaram o conflito, em Abril de 1809.

Batalha de Wagram (5-6 de Julho de 1809)


A Batalha de Wagram seria decisiva para a guerra ter se acabado tão rapidamente. Nela 160.000 franceses enfrentaram 150.000 austríacos, nos arredores de Viena. A Batalha foi dura e sangrenta. Os franceses, tiveram 27.500 mortos/feridos, enquanto, a Áustria teve 23.500 mortos ou feridos. Mesmo assim, Napoleão obteve uma grande vitória, conseguindo entrar em Viena, logo em seguida.

Napoleão em Wagram, de Horacio Vernet.































Tratado de Schönbrunn 


Assinado em 14 de Outubro de 1809, tal Tratado punha fim a participação da Áustria na Coalizão, tornando-a aliado formal dos franceses, assim como havia sido em Tilsit com a Rússia. Além disso também cedia as províncias ilírias a França, em sua totalidade. O exército austríaco seria reduzido a 150.000 homens (promessa não cumprida) e Salzburgo e Tirol seriam cedidos ao Reino da Baviera.

O fim da guerra da Quinta Coalizão é considerado o auge do Império Napoleônico, em sua extensão máxima.

Guerra da Quarta Coalizão: Napoleão avança sobre os estados germânicos!

Após um período ínfimo, deu-se a Guerra da Quarta Coalizão. Tal conflito teria seu estopim na recusa da Saxônia a se unir a recém-criada Confederação do Reno, entretanto, se seguiria, mesmo após solucionado tal impasse. Reino Unido, Reino da Suécia, Império Russo e Prússia (note a ausência da Império Austríaco) uniram-se na Quarta Coalizão, declarando guerra contra a França. A mobilização de forças se deu quase que somente pelo no da Europa Central, nas atuais Alemanha e Polônia.

Batalha de Jena-Auerstedt (14 de Outubro de 1806)


Sendo um dos primeiros movimentos incisivos da guerra, a batalha de Jena-Auerstedt, viria a ocorrer em duas etapas em duas cidades, Jena e Auerstedt (que mantém os mesmos nomes, atualmente na Alemanha). Ambas as forças iniciaram o combate com números relativamente reduzidos: 40.000 franceses, sob o comando de Napoleão, contra 60.000 prussianos. Nos primeiros movimentos o Marechal Michel Ney, sem receber ordens de Napoleão, opta por avançar contra prussianos, quase causando um massacre total de seus comandados. Napoleão envia sua Guarda Imperial, conseguindo retirar Ney do cerco prusso.

No continuar da Batalha Napoleão recebeu mais quarenta mil homens de reforços, conseguindo uma vitória temporária e fazendo os prussianos recuarem até Auerstedt. Aonde, no dia seguinte, os prussianos são novamente derrotados pelas tropas de Napoleão. Com isso, os franceses viriam a entrar em Berlim, entretanto, sem conseguir uma rendição de Frederico III, que se refugiaria em Königsberg, com o apoio dos russos.

Batalha de Friedland (14 de Junho de 1807)


Visando impedir a reunião das forças russas e prussianas, Napoleão ordena o avanço ao leste de 10.000 homens, de forma rápida, enquanto o grosso de seu exército avançaria gradativamente. No dia 14 de Junho, 72.000 russos atacaram as tropas mais avançadas de Napoleão, que conseguiram resistir até a chegada de reforços. Assim, travou-se a Batalha de Friedland, no atual exclave russo de Kaliningrado.

Comandados por Napoleão, 66.000 franceses, sofrendo 8.000 baixas, derrotam os 84.000 russos sob controle do General Levin August, que sofreram entre 30.000 e 40.000 baixas.

Napoleão em Friedland, concedendo ordens ao General Nicolas Davout.






































Tratado de Tilsit 


Com a derrota em Friedland, os russos não mais tinham condições de seguir fazendo frente ao Império Napoleônico, em favor da Prússia. Assim, foi assinado, no dia 7 de Julho de 1807, o Tratado de Tilsit, pondo fim a Guerra da Quarta Coalizão e com os seguintes artigos:

Art.º 1º - A Russia tomará posse da Turquia na Europa e levará as suas conquistas pela Ásia dentro até aonde lhe fizer conta.
Art.º 2º - Cessarão de existir as dinastias dos Bourbon em Espanha e dos Bragança em Portugal: um príncipe da família do Imperador Napoleão, será revestido da Coroa destes Reinos.
Art.º 3º - A autoridade temporal do Papa cessará, e Roma com as suas dependências, será unida ao Reino de Itália.
Art.º 4º - A Rússia obriga-se a ajudar a França em conquistar Gibraltar.
Art.º 5º - As cidades de África, a saber: Tunis, Argel, etc, ficarão possuídas pela França, e depois da paz geral, todas as conquistas que a França tiver feito em África durante a guerra, serão dadas como indemnização aos reis de Sardenha e Sicília.
Art.º 6º - Malta será ocupada pelos franceses e a França jamais fará a paz com Inglaterra sem que ela lhe ceda esta Ilha.
Art.º 7º - O Egipto será ocupado pelos franceses. A França, Rússia, Espanha e Itália terão o direito de navegação no Mediterrâneo - todos os outros serão excluídos.
Art.º 8º - [Não se declara o seu conteúdo.]
Art.º 9º - A Dinamarca será indemnizada no Norte de Alemanha, e nas cidades Hanseáticas se ela ceder a sua Esquadra à França.
Art. 10º - Suas Majestades de França e Rússia, farão um ajuste, pelo qual, nenhuma Potência para o futuro terá direito de fazer navegar embarcações mercantes, excepto mandando-lhes um certo número de navios de guerra.

O Bloqueio Continental!

Bloqueio Continental foi um decreto datado de 21 de novembro de 1806, que consistia em impedir o acesso a portos dos países dominados pelo Império Francês a navios do Reino Unido da Grã Bretanha (Inglaterra) e Irlanda. Com isso, o principal objetivo era isolar economicamente as Ilhas Britânicas, sufocando suas relações comerciais.
Mas, para que o Bloqueio Continental tivesse total eficácia, a França dependia de que todos os países da Europa aderissem á idéia, e para isso era necessária a adesão de todos os portos localizados nos extremos do Continente. Os portos dos impérios russo, austríaco e português eram os quais Napoleão precisava para seu êxito total no decreto.
O acordo de Tilsit, firmado com o Czar Alexandre I da Rússia em julho de 1807, garantiu o encerramento do extremo leste da Europa. Agora faltava o extremo Oeste, onde ficavam os portos das cidades de Lisboa e do Porto, pertencentes ao império português.
O Governo de Portugal se recusava á aderir ao bloqueio devido á sua aliança com a Inglaterra, da qual era extremamente dependente. Suas riquezas vinham de suas colônias, principalmente do Brasil. Com um reino decadente, Portugal não tinha como enfrentar Napoleão.
A Inglaterra reagiu, e em janeiro de 1807 foram emitidas algumas ordenanças que institucionalizaram o comportamento da Marinha Real Britânica com relação aos navios neutros que tinham como destino os portos franceses. Os navios abordados em alto-mar eram capturados e vendidos em leilão, além de ter toda a carga sequestrada. Como resultado, as mercadorias coloniais desapareceram dos mercados dos países que aderiram ao bloqueio.
Em agosto de 1807, Napoleão enviou um ultimato ao Príncipe Regente de Portugal, D. João (que viria a se tornar D. João VI). Ou ele rompia com a Inglaterra, ou Portugal seria invadido pelas tropas francesas. Mas, a Inglaterra ofereceu proteção à Família Real Portuguesa e forçou D. João á aceitar o embarque para o Brasil.
O bloqueio ficou mal visto pelas nações “aliadas” á França e isto contribuiria para reduzir o prestigio de Napoleão nas terras por ele conquistadas.

O mapa europeu durante o bloqueio continental.