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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Guerra da Terceira Coalizão: o auge militar Napoleônico!

No final de 1803 se inicia a Guerra da Terceira Coalizão que, em seu início era uma guerra apenas entre França e Inglaterra. Tal conflito tem seu estopim quando os britânicos recusam-se a ceder a Ilha de Malta para os Cavaleiros Hospitalários (como foi previsto após a Guerra da Segunda Coalizão), entretanto, a situação de "Paz definitiva" na europa já era precária. Apesar de ser um conflito duradouro, este só teve batalhas mais incisivas e decisivas, em 1805; ano em que outras nações entraram no conflito de fato.

A Espanha declarou guerra a Inglaterra, aliando-se a França, em janeiro. Em abril, a Rússia entra na guerra ao lado dos ingleses. Em agosto, os Reinos da Suécia, de Nápoles e Austríaco declaram guerra a Napoleão. Assim, se desenvolveu um curto período de movimentação de grandes exércitos e, em 16 de Outubro, iniciou-se a primeira grande batalha da guerra, com Napoleão no comando de 80.000 contra 40.000 austríacos. A Batalha ocorre em Ulm e é um sucesso para os franceses que perdem 500 homens, contra 4000 casualidades austríacos, além de 27000 mil capturados, incluindo o General austríaco, Karl Leiberich.

Quadro de Charles Thévenin: "A rendição de Ulm; o 20 de Outubro de 1805"
























A Batalha de Trafalgar (21 de Outubro de 1805)


Enquanto a guerra corria favorável a Napoleão por terra, a situação em vias marítimas estava pra ser decidida no Cabo Trafalgar (próximo ao estreito Gibraltar), na Costa da Espanha. No dia 21 de Outubro, o Almirante Lorde Horatio Nelson, comandou 27 navios britânicos, contra uma frota franco-espanhola, em maior número, de 33 embarcações. É interessante citar que a estratégia utilizada por Nelson foi totalmente inconvencional pra época. Ele organizou seus navios em duas linhas, ao invés de colunas. Esperando que os seus resistissem a primeira leva de fogo, Nelson visava dividir a frota inimiga.

Disposição tática dos navios na Batalha de Trafalgar.


O resultado foi perfeito pra os ingleses: nenhum navio perdido, contra 22 perdas franco-espanholas. Entretanto, o Lorde Nelson falece, sofrendo um tiro de canhão na proa de sua embarcação; tornando-se um herói nacional britânico. O resultado estratégico, em si, é avassalador para Napoleão. Ele perde toda a confiança que a ainda sustentava em sua marinha e é forçado a abdicar de uma futura invasão da Grã-Bretanha; perdendo o controle do Atlântico.

A Batalha de Austerlitz (2 de Dezembro de 1805)


Já no fim do ano, no dia 2 de Dezembro de 1805, ocorreu a mais impressionante vitória militar napoleônica dentre todas, em Austerlitz, atual Slavkov, na República Tcheca. Nessa batalha estavam presentes Napoleão, Alexandre I, da Rússia, e Francisco II, da Áustria; o que gerou para o acontecimento a alcunha de "Batalha dos Três Imperadores".

Napoleão contava com entre 75000 e 77000 soldados, enquanto russos e austríacos contavam com 87000 (70% eram russos). Importante notar que, no local da batalha havia uma grande colina, a qual teria suma importância no desenrolar do confronto. Napoleão cria, assim, uma campanha de desinformação. Ordenando avanço desenfreados e recuos massivos desorganizados, ele planejava passar a imagem pra os líderes coligados que não tinha ideias pra perfurar as linhas inimigas.

Logo em seguida, Napoleão dividiu seu exército, posicionando parte atrás da colina (fora da visão de austríacos e russos) e colocando a maior parte deste em cima da colina, nota que o flanco a frente da colina é mais próximo do acampamento inimigo. Visando atrair as tropas coalizadas para um ataque nesse ponto, Napoleão ordena a debandada de seus homens, descendo a colina. As tropas coalizadas iniciam um rápido avanço se aproveitando do "descuidado" movimento de Napoleão ao abandonar o local mais alto e de mais valor. Assim, Napoleão ordena que o restante do Exército Francês (que estava por trás da colina) inicie sua subida; "cortando", assim, os austríacos e russos ao meio.

Napoleão daí, em diante, acaba por organizar quatro pontos de combate, independentes uns dos outros. Ao fim do dia 9000 franceses foram perdidos (incluindo 1300 mortos) contra 27000 austríacos (com 15000 casualidades; além de 180 canhões dos coalizados capturados.

"Napoleão em Austerlitz", quadro de François Gérald. Atualmente no Palácio de Versalhes.





















A Paz de Pressburg 


No dia 26 de Dezembro, deu-se o Tratado de Pressburg que forçava os austríacos a se retirarem da Terceira Coalizão e cederem territórios ao norte da Itália, sul do Reino da Baviera (o qual se tornaria aliado de Napoleão), além de parte da costa da atual Croácia. Francisco II, também colocaria fim ao Sacro Império Romano-Germânico e passaria a ser rei da [ainda a ser fundada] Confederação do Reno, apenas em teoria; na prática, o comando estaria nas mãos de aliados de Napoleão.

Com tal tratado, a França não concedia paz a todos os inimigos, tanto é que Rússia, Suécia e Reino Unido nunca assinaram um Tratado de paz formal com os franceses. Antes mesmo que a guerra acabasse, Napoleão se aproveitou para invadir e conquistar todo o Reino de Nápoles (exceto as Ilhas da Sardenha e da Sícilia), nomeando seu irmão mais velho, José Bonaparte, como Rei de Nápoles e seu irmão mais novo, Luís Bonaparte, como Rei dos Países Baixos; oficializando tais nomeações, no ano seguinte.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

1802-1803: Napoleão como Cônsul-Uno Vitalício e outros fatos importantes

Em 1802, se elabora a "Constituição do Ano X" (como foi chamado pelo calendário revolucionário) que, apesar de ser vaga em muitos aspectos é de suma importância para se compreender a centralização de poder nas mãos de Napoleão. Pois nessa constituição estabelecia que Napoleão governaria a França "por toda sua vida"; tal decisão seria confirmada em um referendo popular no dia 2 de Agosto do mesmo ano.

No dia 3 de Maio de 1803, pela vigente Revolução Haitiana pela Independência e pelo controle marítimo britânico sobre as rotas do Atlântico para o Canadá; Napoleão se vê obrigado a vender todo o território da Louisiana aos Estados Unidos da América por 15 Milhões de Dólares; preço baixo pra a quantidade de terras, entretanto, muitos historiadores afirmam este como um ótimo negócio pra Napoleão, já que a França necessitava de dinheiro em caixa urgentemente e venderam um território "que já não era mais francês, de fato".

Em verde: território da Louisiana vendido por Napoleão colocado no mapa dos EUA, atualmente,

Reestruturação da Economia Francesa: O Banco Central da França!

Em 1800, ainda no início do Período Consular, Napoleão Bonaparte criou o Banco Central da França visando a regulação da emissão de moedas, e a redução da inflação. As tarifas impostas eram protecionistas; o resultado geral foi uma França com comércio e indústria fortalecidos, principalmente com os estímulos à produção e ao consumo interno. Assim Napoleão seria o principal responsável pela modernização da economia francesa.

Corredor do Banco Central Francês, atualmente.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Período Consular: Fim da Guerra com a Segunda Coalizão!

Com as derrotas de 1800, sobretudo, na Batalha de Hohenlinden; os aliados não tiveram condições de realizar nenhuma outra grande ofensiva continental contra os franceses. Logo, nenhuma grande mudança militar-estratégica ocorreu durante todo o ano na Guerra da Segunda Coalizão. Entretanto, outros acontecimentos importantes ocorreram para a história em outros pontos. Entre 20 de Maio e 6 de Junho, ocorreu a Guerra das Laranjas entre Espanha e Portugal.

Guerra das Laranjas (6 de Maio - 6 de Julho de 1801)


Tal conflito foi travado tanto na Península Ibérica, como na América do Sul, nos atuais sul e centro-oeste do atual Brasil. Os motivos reais do conflito foram a influência francesa sobre a Espanha que, com a vitória, conseguiu fechar, temporariamente, os portos e colônias portuguesas para a Grã-Bretanha, através do Tratado de Badajoz, de 5 de Junho que, além do citado termo, tinha as seguintes condições.

  • A Espanha conservava, na qualidade de conquista, a praça-forte, território e população de Olivença, mantendo o rio Guadiana como linde daquele território com Portugal (art. IV);
  • Eram indemnizados, de imediato, todos os danos e prejuízos causados durante o conflito pelas embarcações da Grã-Bretanha ou pelos súbditos de Portugal, assim como dadas as justas satisfações pelas presas feitas ilegalmente pela Espanha antes do conflito, com infracções do território ou debaixo do tiro de canhão das fortalezas dos domínios portugueses.
Outro ponto importante foi que, mesmo perdendo a guerra, não foi de todo mal para Portugal, pois este conseguiu aumentar suas fronteiras coloniais no Brasil, sobretudo no atual Mato Grosso do Sul.

A Concordata de 1801


Outro importante acontecimento deste ano foi a Concordata entre o governo francês e o Papa Pio VII. Com tal acordo, Napoleão visava diminuir as hostilidades entre a Igreja e a França, pois, mesmo estes  [Estados Papais] tendo se tornado estados satélites franceses, a resistência dentro do próprio clero não diminuíra. Tal concordata tinha como condições gerais:
  • O Catolicismo seria "a religião da grande maioria dos franceses", porém não a religião oficial, em respeito ao Protestantismo;
  • O Imperador nomearia os bispos (como funcionários públicos), mas o Papa teria o poder de expulsá-los;
  • O Estado iria arcar com as despesas e subsídios do clero;
  • A Igreja renunciaria a todos as reivindicações dos territórios tomados pela França desde 1790;
  • Estabelecimento do calendário gregoriano, em detrimento do calendário republicano revolucionário.


Com a Concordata de 1801 o Papa Pio VII visava um certo ganho de poder dentro das instituições francesas.

































Fim da Guerra com a Segunda Coalizão


O Tratado de Amiens, firmado no dia 25 de Março de 1802, entre França e Reino Unido, punha fim a Guerra da Segunda Coalizão. No tempo, tal tratado foi chamado de "Tratado da Paz definitiva". Apesar do enfraquecimento de sua economia interna, a França conseguiu muitos ganhos a partir desse tratado, como a demarcação definitiva da Guiana Francesa, a recuperação de colônias como a Índia Ocidental, Colônia do Cabo e República Batávia, pelos ingleses; além da retirada de tropas britânicas do Egito (entretanto, Napoleão teria que retirar suas tropas dos Estados Papais).

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Período Consular: As primeiras campanhas militares do novo governo

O início do período Consular é marcado por uma instabilidade política e militar, tanto interna (com pequenas revoltas em contraposição ao 18 Brumário), como externamente, com os desorganizados exércitos franceses espalhados pela Europa. Logo, o ano de 1800 é um ano muito agitado, do ponto de vista militar.

Tal período não foi só de vitórias franceses; com uma contra-ofensiva austríaca, iniciada no dia 5 de Abril, tropas francesas em Génova e Savona, capitularam, nos dias 15 de Maio e 4 de Junho de 1800, respectivamente. Em maio, Napoleão, comandando um exército reserva com cerca de 40.000 homens iniciou sua marcha em direção a Itália, chegando ao Fort Bardi no dia 19; o qual só capitularia no dia 5 de Junho. Ainda assim, o ano seria como um todo, vitorioso para os franceses.

Forte di Bardi, atualmente. Em 1800, 600 austríacos resistiram por duas
semanas contra 40000 franceses sobre o comando de Bonaparte.
Uma importante e difícil vitória foi conquistada por Napoleão, em Junho, quando, na Batalha de Marengo, comandando entre 24000 e 28000 franceses, venceram entre 23000 e 29000 austríacos. Essa foi a primeira vitória de grandes proporções com Napoleão no poder.
Já no fim do ano, no dia 3 de Dezembro, os franceses disputaram outra importante batalha: a Batalha de Hohenlinden, no sul do atual Alemanha.











Batalha de Hohenlinden (3 de Dezembro de 1800)


O quadro da batalha contava com 42000 homens de infantaria e 12000 na cavalaria para os franceses, além de 99 canhões; enquanto, os austríacos (e bávaros) contavam com 46000 de infantaria e 14000 de cavalaria, além de 214 canhões. Napoleão não participou da batalha, mas o General Jean Moreau conseguiu a vitória. Tal conquista só foi possibilitada pela manobra de envolvimento do flanco esquerdo do general austríaco Österreich que, saindo de um terreno arborizado não conseguiu manter comunicação com todas as quatro colunas em que seus soldados foram dispotos.

sábado, 29 de agosto de 2015

Período Consular: O Golpe de 18 Brumário!

Após sair do Egito, Napoleão chega a França no dia 9 de Outubro de 1799, reativando todas suas articulações políticas e colocando-se em uma posição neutra em relação a grande crise que havia se instaurado no país, devido a Guerra da Segunda Coligação. Um mês após ter chegado, no dia 9 de Novembro, ocorre um Golpe de Estado no qual, o Diretório, enfraquecido, cai perante o novo governo que, agora, seria formado por três cônsules; entre eles Napoleão, como Primeiro-Cônsul e, portanto, de maior poder, na prática.

No dia seguinte, Napoleão fecha também, o Conselho dos Quinhentos (ilustração abaixo). O Golpe foi aclamado pelos mais vastos setores da sociedade, sobretudo, pela burguesia; que via na figura de Napoleão a paz desejada naquele momento e a consolidação econômica da França. Além do apoio de indivíduos do próprio Diretório que visavam subir nas classes políticas com a nova ordem instaurada.

Assim, se inicia o Período Consular Trino, que antecede, o Império Napoleônico.

"O general Bonaparte no Conselho dos quinhentos", por Bouchot.
























Os 3 Cônsules: Jean Jacques Régis; Napoleão Bonaparte e Charles-François Lebrun.